Eu nunca vi um fumante guardar a bituca de cigarro no bolso após o fumo, sempre os vejo jogando nas calçadas descaradamente, pois é meu filho, além de você estar colaborando com o meu câncer de pulmão esta colaborando com as enchentes da cidade, com a poluição do planeta. Bom, acho que nenhum fumante pensa nas diversas conseqüências do ato de fumar, odeio isso, não eu não odeio as pessoas, pelo contrario adoro as diversidades entre as pessoas, o que eu contesto aqui são os hábitos das pessoas. Assim como a falta de preocupação do fumante, não suporto a indiferença das pessoas, indiferença essa que faz com que pessoas admirem na vitrine a nova chuteira da Nike e se esforcem para comprá-la, não reparam no mendigo sentado na beira da porta da loja, tudo bem, o cara pode ser um filho da puta que começou a se drogar roubou os pais pra poder alimentar cada vez mais seu vício, foi preso, cumpriu sua pena, sua família não o aceitou de volta em casa, mas será esse um motivo justificável pra você julgar essa pessoa e nem lhe ceder um olhar? Talvez ele seja um cara de uma vida difícil, veio pra cidade grande em busca de um emprego, não conseguiu, aquela tia que lhe daria abrigo, morreu de bala perdida no ultimo feriado e seu marido não quis nem saber se sustentar sobrinho dos outros, expulsou-o de casa ligou pra mulher saber se ela podia arrumar com o coronel da cidade uns trocado pra ele voltou voltar pra casa, mas a mulher já tava de barriga de outro cara, os últimos centavos que tinha gastou com esse interurbano. Sozinho, sem grana, sem mulher, sem abrigo e agora sem a sua atenção pois pra você esse alguém é só mais uma estátua viva, por que essa é a verdade a cidade esta cheia de estátuas mas você nem conhece suas histórias, virou rotina virar a cara. Normal, né?
“A sociedade não tem mais jeito” É esse clichê que você repete todos os dias na conversa com o cara do ônibus que sentou do seu lado reclamando da enchente da semana passada, e no meio da conversa lá se vai o papelzinho de bala pela janela ao encontro da bituca de cigarro do outro, e você o que faz? Nada? Ah, é mesmo você esta sentado no ônibus, esta acomodado, tão acomodado que não viu a velhinha com compras em pé do seu lado.
Fim da retórica. Fim da linguagem fática.
Se tá uma merda vamos fazer o que? Cagar em cima? NÃO!
Infelizmente esta na criação do ser humano em querer seu conforto e esquecer-se de quem esta perto, é fácil criticar uma sociedade, difícil é propor mudanças e aceitar que você vai ter que mudar, você vai ter que abrir mão do seu tão cobiçado alimento pro ego e passar a ajudar aquele ser tão frágil do seu lado.
Lembro-me que quando criança quando meus pais me obrigavam a comer e eu não queria vinham com a justificativa de que muitas pessoas estão passando fome e que desejam um prato de comida, me obrigar a comer não vai fazer com que essas pessoas recebam alimento, acho que se me mostrassem a realidade de perto eu não dispersaria a comida, faria que antes era um prato se tornarem em dois e levaria praquelas pessoas que passam fome.
Outro retrato ainda recente é quando eu comentava com a minha mãe de Chico Buarque e ela falava, não fale dele pro seu avô, e como criança adora isso, tido e feito, ouvi o discurso do meu avô falando que Chico apóia o socialismo, ele tão admirador dos Estadunidenses ( será que ele não percebeu que lá, mesmo sendo a primeira nação a se preocupar com os direitos humanos, é uma das mais racistas e preconceituosas do mundo) mas o que importa, dinheiro é tudo, fazer dos outros pessoas especiais é conseqüência.
Tornem as pessoas especiais a cada dia, cative-as.
Tava aqui no word pra terminar e não terminei, postei