7.8.15

das desordens e da vida

hoje é mais um dia que eu tento por em ordem suas fragmentações, não sei por que motivo eu tenho a necessidade de deixar tudo mais harmônico, tenho certeza que não é pra ter um cômodo a mais, apesar de pequeno, meu quarto de 5m² é bastante acolhedor e me basta. Pensando bem, talvez seja pra te conhecer melhor, pra encurtar a distância que eu mesma criei quando eu resolvi viver em outro lugar, e que infelizmente foi suficiente pra que nossa amizade se perdesse em qualquer esquina, essa é a triste realidade, nos perdemos por ai, nos afastamos, quando voltei, você já estava como uma pedra, totalmente impenetrável, bloqueando qualquer acesso ao seus mais puros sentimento, seja de alegria ou de medo, só vi mágoa, e não soube como lidar com isso. Mesmo tentando encaixotar tudo em suas caixas organizadoras percebo que eu só conheço suas manias, mania de guardar tudo, encontrei até mesmo bonequinhas de porcelana da infância, aparelhos celulares que nunca mais serão usado, mil papéis que certamente nunca mais serão lidos, quanto passado guardado minha irmã, será que sua mente tá igual? muitas coisas guardadas, algumas sem nenhuma ordens, algumas sem ter motivo, apenas ocupando um espaço desnecessário, será que não é hora de simplificar, abrir mão de algumas coisas e dar espaço a coisas novas, ao inesperado?! Vejo que não sou eu quem deve definir o que fica ou não, isso é totalmente seu, é um processo de limpeza, limpeza de espírito eu diria, de desapegos. Minha querida, só você pode fazer isso, talvez seja uma forma de autoconhecimento, se livrar daquilo que não faz sentido, relembrar e se libertar. Quero que você saiba que eu tô aqui pra te ajudar, dar aquele empurrãozinho, abrir os olhos, tornar tudo mais claro, mas infelizmente é esse o ponto que eu posso ir com você, depois disso, todo o espaço é seu, é você que deve caminhar e ir só, se enxergar além dos espelhos da porta do guarda-roupas e sorrir, por dentro e por fora, de alma lavada.